Finish him!!
Estou a quase 2 semanas adiando a última postagem. As aulas na escola já terminaram e já entrei de férias na faculdade sexta-feira passada, mas, como nota-se, fiquei evitando o encerramento.
Não há muito o que dizer, minhas opiniões gerais sobre o aprendizado nesse estágio estão no post passado e como venho dizendo desde maio, esse primeiro "mês" serviria como registro da, quem sabe, minha futura profissão e acabou servindo também para futuros (ou atuais) professores poderem refletir sobre várias situações expostas aqui sobre o cotidiano do ensino público.
Consegui renovar o estágio (a renovação é feita a cada 6 meses) e pelo que vi na ficha de avaliação que fizeram, meu trabalho foi reconhecido. Recomeço dia 02 de agosto.
Como já dito também, recomeçarei com várias ideias que pretendo por em prática para ajudar ao máximo aqueles alunos a fecharem o ano com rendimento satisfatório. Consegui estruturar a grade de matérias na faculdade para que não fique muito sobrecarregado e possa também me dedicar aos estudos.
Não sei se já disse, mas se for o caso repito: na mesma semana que comecei nesse estágio recebi a proposta de pegar uma turma de EJA (Ensino de Jovens e Adultos), mas acabei recusando com receio de não conseguir dá conta das de 3 rotinas (faculdade de manhã, estágio a tarde e EJA a noite). Esse semestre já estou mais confiante e preparado, então me prontifiquei ao DIUC (Divisão de Integração Universidade Comunidade) lá da UFRJ, dizendo que estaria disponível caso alguma turma aparecesse.
O blog termina aqui, pelo menos a parte referente ao estágio. Talvez recomece com o cotidiano do EJA, a rotina de uma turma de adultos numa comunidade é um outro ponto de vista interessante sobre o mesmo assunto (alfabetização), que acredito valer a pena compartilhar.
Obrigado a todos que passaram por aqui e comentaram e também aos que passaram e não disseram nada (a maioria). Pelo Google Analytics vi que tive cerca de 500 visitas, mas nem 20 comentários, só não reclamo muito porque eu também raramente comento em blogs ou sites que visito. :-D
Então é isso, caso alguém queira trocar alguma ideia ou perguntar alguma coisa, taí onde me encontrar:
diegodomingues87@gmail.com
http://pt-br.facebook.com/diegodomingues87
http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=8571832363425410462
Até! ;-)
Diego Domingues
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
Sobre o que aprendi
antes de tudo uma dica para caso algum estudante novato em faculdade venha parar aqui: jamais seja olho grande na hora de puxar matérias! Isso no final de período dá uma enrolação tremenda, por isso as postagens dos últimos dias estão tão inscontantes...e ainda tenho mais 2 semanas de provas! Salve-se quem puder!
[30º Dia] - 08/07/2010
E chegou o último dia! É estranho reler algumas passagens do blog e ver que, embora a ideia tenha sido escrever sobre meu primeiro mês, já estou no terceiro e ainda escrevendo. Comecei no início de maio e de lá pra cá, tirando os pontos facultativos, recessos, chuvas bíblicas, jogos do BraZil e aqueles dias que fiquei sem ir por ter torcido o pé...só no dia 08/07 é que cumpri 30 dias de estágio!
Na aula em si as coisas seguem de forma tranquila: muita agitação, alunos faltando, sumindo, outros aparecendo e se destacando, alguns do fundo da sala de 2 meses atrás são os primeiros da fila agora, outros persistem na resistência ao óbvio e vão levando as aulas com pouca ou nenhum seriedade.
O trígésimo dia em si não trouxe nada de especial e emblemático, foi um dia típico. Vou usar o espaço então para uma retrospectiva e alguns esclarecimentos.
[5 pontos fundamentais sobre o que aprendi]
Abaixo a síntese de minhas experiências com o estágio até aqui:
NINGUÉM TEM O CONTROLE DA SITUAÇÃO. O que nós temos é a sensação de controle ou, por experiência, as martimanhas para conseguir contornar algum acontecimento inesperado, mas nunca podemos entrar numa sala de aula, achando que do início ao fim tudo vai ocorrer como planejado. Não vai.
É preciso estudar muito, ler bastante e ser dinâmico, dinamismo é a palavra chave para qualquer um que queira se aventurar na área de educação. Ninguém gosta de uma aula parada e repetitiva, por mais esforço que você tenha desempenhado para elaborar alguma atividade, sempre tenha outras de reserva e várias cartas na manga, porque se não se pode prever o andamento de uma aula, ao menos pode-se preparar para os imprevistos. E acredite, os imprevistos são o que de mais previsível vai acontecer.
OPINIÃO DE ALUNO TEM QUE SER CONSIDERADA...COM RESSALVAS. Eu ainda sou um aluno e se tudo correr bem serei ainda por um bons anos, mesmo assim é preciso admitir que opinião de aluno NUNCA deve ser levada ao pé da letra. Aluno reclama sem saber o porquê, aluno gosta de abusar de sua posição de conforto para testar os limites do professor, até onde ele é permissivo, até onde ele sabe, até onde ele vai...
Digo isso porque nesse período já ouvi ofensas de alguns e os mesmos alunos depois vieram me pedir para ajudá-los, me deram bala, doce, refrigerante (!). Uma aluna que me chamou de chato, venho pedir auxílio em leitura num tempo vago que ela poderia muito bem ter ido embora ou ter ficado no pátio brincando, outra aluna que me chamou de mentiroso (porque não liberei mais cedo) recentemente venho falar comigo sobre a família, sobre o namorado e perguntar o que eu achava do comportamento dela, que ela sabia que estava falando muito, mas ia melhorar...
Um aluno que me chamou de folgado (porque pedi para guardar o celular que ele usava na sala), me cumprimentou e foi se sentar do meu lado num dia inteiro para que eu ensinasse-o a ler um livro, pois não estava conseguindo.
Na maioria das vezes, toda a agressividade das atitudes são formas mal resolvidas de se expressar. Não deve-se nunca ser sensível demais e considerar as opiniões negativas como o fim, nem muito arrogante para desconsiderar qualquer opinião. Não há fórmula pronta! É tentativa e acerto....sempre.
UM PROFESSOR NÃO PODE ABRAÇAR O MUNDO. É uma frase meio desconfortante, alguns pensarão "mas é claro que pode! um professor pode abraçar o mundo, mudar toda uma sociedade". Não, não pode. Um professor pode abraçar uma pessoa, mudar uma sala, mas não o mundo. Então quando o aluno traz problemas familiares, sociais, pessoas...deve-se ter paciência e saber até que ponto é possível ir e que a partir dali, o poder do professor fica restrito.
Por exemplo: se um aluno chega todo revoltado porque vive numa área de pobreza, enfrenta violência diariamente, tem pais ausentes...o que o professor pode fazer? Mudar a área onde ele vive? eliminar a violência da comunidade? Exigir comprometimento dos pais? O professor pode (e deve) conscientizar o aluno sobre seus direitos e deveres, sobre quais influência ele deve e quais não deve seguir e fazer com que ele assimile conhecimento, desenvolva o senso crítico e tenha ferramentas necessária para se tornar um cidadão pleno e um futuro profissional honesto e sério. Mas e se esse aluno não absorve nada disso, se ele some da escola, se envolve com a criminalidade...foi então o professor que errou? a sociedade que o discriminou? o governo (sempre ele) que não o amparou? Não! Foi aquele aluno que tendo o livre arbítrio como qualquer pessoa teve os dois caminhos a sua disposição e optou pelo mais fácil, que quase sempre é o errado.
A ESCOLHA PELO CAMINHO ERRADO NÃO É UNANIMIDADE.
O tópico anterior puxa esse aqui. O velho papo de que "não tive oportunidades suficientes" é bom pra declarações sentimentalistas de pobres coitados! Há exemplos em nossa sociedade de pessoas com estilos de vida idênticos, vindo de origem semelhante, com ausência familiar igual e que mesmo assim conseguiram se tornar cidadãos de bem, enquanto outras desistiram. Alguns professores marcam vidas, outros passam batidos...mas se o aluno não tiver vontade de mudar, de correr atrás, de ser alguém melhor, ninguém fara isso por ele. E o professor jamais deverá sentir culpa pelos erros na vida de sua turma, ele precisa ter a postura confiante de que está fazendo o melhor que pode, se isso vai atingir a todos ou não, é outra história.
CONFIANÇA NO TRABALHO QUE FAZ É A CHAVE PARA O SUCESSO!
Esse título parece início de capítulo de livro de autoajuda, mas a ideia é essa: ou você faz um trabalho decente ou não faz nada. E se não fizer nada não poderá reclamar depois das frustrações na carreira. Foi uma escolha sua!
No estágio conheci todo tipo de professor: os gentis, os grossos, os frustrados e os apaixonados pela profissão, os pessimistas, os otimistas...enfim, há todo tipo de gente dando aula.
Conheci professores, que não sei ao certo quais matérias dão, mas são gentis, tranquilos, estão sempre rindo, me cumprimentam sempre também, perguntam se estou gostando da escola, compartilham ideias, sugerem propostas de aula e mesmo os que não falam comigo, mantêm uma postura profissional, chegam tomam seu café, corrigem suas provas, são educados e se relacionam muito bem com os alunos.
Por serem boas pessoas isso se reflete nos seus trabalhos, logo, se sabem o que estão fazendo, qual a finalidade, porque e por quem estão ali, já é meio caminho andado para o sucesso.
Há também os professores estressados, reclamões, que estão sempre com dor de cabeça, esses são a minoria, mas ainda existem. Parece que em algum lugar no percusso perceberam que ensinar não era pra eles, mas ao invés de mudarem de profissão, se acomodaram e ficaram lá, entregues a monotonia, pedindo aos dias que passem e os deixem...são bons professores? Não sei.
E há a professora que dá aula na turma que estou, essa merece um parágrafo a parte. É sem dúvida uma das pessoas mais legais que conheci esse ano, simpática, humilde, me ajuda o tempo todo, às vezes ouvindo minhas asneiras, às vezes dividindo opiniões sobre a turma e estratégias para ajudá-los. Tem uma paciência gigante e embora a turma seja muito complicada de se trabalhar, nunca a vi com raiva, no máximo, ao final da aula, um suspiro e um comentário irônico. Uma das peças-chaves que motivou meu interesse pela educação depois que comecei a estagiar foi o que tenho visto diariamente aquela professora fazer. Um trabalho difícil, mas nunca um mau trabalho.
[Fecho aqui então a retrospectiva de meu aprendizado, postarei ainda essa semana as considerações finais e meus planos de retomar o blog ou modifica-lo....isso fica pra depois!]
[30º Dia] - 08/07/2010
E chegou o último dia! É estranho reler algumas passagens do blog e ver que, embora a ideia tenha sido escrever sobre meu primeiro mês, já estou no terceiro e ainda escrevendo. Comecei no início de maio e de lá pra cá, tirando os pontos facultativos, recessos, chuvas bíblicas, jogos do BraZil e aqueles dias que fiquei sem ir por ter torcido o pé...só no dia 08/07 é que cumpri 30 dias de estágio!
Na aula em si as coisas seguem de forma tranquila: muita agitação, alunos faltando, sumindo, outros aparecendo e se destacando, alguns do fundo da sala de 2 meses atrás são os primeiros da fila agora, outros persistem na resistência ao óbvio e vão levando as aulas com pouca ou nenhum seriedade.
O trígésimo dia em si não trouxe nada de especial e emblemático, foi um dia típico. Vou usar o espaço então para uma retrospectiva e alguns esclarecimentos.
[5 pontos fundamentais sobre o que aprendi]
Abaixo a síntese de minhas experiências com o estágio até aqui:
NINGUÉM TEM O CONTROLE DA SITUAÇÃO. O que nós temos é a sensação de controle ou, por experiência, as martimanhas para conseguir contornar algum acontecimento inesperado, mas nunca podemos entrar numa sala de aula, achando que do início ao fim tudo vai ocorrer como planejado. Não vai.
É preciso estudar muito, ler bastante e ser dinâmico, dinamismo é a palavra chave para qualquer um que queira se aventurar na área de educação. Ninguém gosta de uma aula parada e repetitiva, por mais esforço que você tenha desempenhado para elaborar alguma atividade, sempre tenha outras de reserva e várias cartas na manga, porque se não se pode prever o andamento de uma aula, ao menos pode-se preparar para os imprevistos. E acredite, os imprevistos são o que de mais previsível vai acontecer.
OPINIÃO DE ALUNO TEM QUE SER CONSIDERADA...COM RESSALVAS. Eu ainda sou um aluno e se tudo correr bem serei ainda por um bons anos, mesmo assim é preciso admitir que opinião de aluno NUNCA deve ser levada ao pé da letra. Aluno reclama sem saber o porquê, aluno gosta de abusar de sua posição de conforto para testar os limites do professor, até onde ele é permissivo, até onde ele sabe, até onde ele vai...
Digo isso porque nesse período já ouvi ofensas de alguns e os mesmos alunos depois vieram me pedir para ajudá-los, me deram bala, doce, refrigerante (!). Uma aluna que me chamou de chato, venho pedir auxílio em leitura num tempo vago que ela poderia muito bem ter ido embora ou ter ficado no pátio brincando, outra aluna que me chamou de mentiroso (porque não liberei mais cedo) recentemente venho falar comigo sobre a família, sobre o namorado e perguntar o que eu achava do comportamento dela, que ela sabia que estava falando muito, mas ia melhorar...
Um aluno que me chamou de folgado (porque pedi para guardar o celular que ele usava na sala), me cumprimentou e foi se sentar do meu lado num dia inteiro para que eu ensinasse-o a ler um livro, pois não estava conseguindo.
Na maioria das vezes, toda a agressividade das atitudes são formas mal resolvidas de se expressar. Não deve-se nunca ser sensível demais e considerar as opiniões negativas como o fim, nem muito arrogante para desconsiderar qualquer opinião. Não há fórmula pronta! É tentativa e acerto....sempre.
UM PROFESSOR NÃO PODE ABRAÇAR O MUNDO. É uma frase meio desconfortante, alguns pensarão "mas é claro que pode! um professor pode abraçar o mundo, mudar toda uma sociedade". Não, não pode. Um professor pode abraçar uma pessoa, mudar uma sala, mas não o mundo. Então quando o aluno traz problemas familiares, sociais, pessoas...deve-se ter paciência e saber até que ponto é possível ir e que a partir dali, o poder do professor fica restrito.
Por exemplo: se um aluno chega todo revoltado porque vive numa área de pobreza, enfrenta violência diariamente, tem pais ausentes...o que o professor pode fazer? Mudar a área onde ele vive? eliminar a violência da comunidade? Exigir comprometimento dos pais? O professor pode (e deve) conscientizar o aluno sobre seus direitos e deveres, sobre quais influência ele deve e quais não deve seguir e fazer com que ele assimile conhecimento, desenvolva o senso crítico e tenha ferramentas necessária para se tornar um cidadão pleno e um futuro profissional honesto e sério. Mas e se esse aluno não absorve nada disso, se ele some da escola, se envolve com a criminalidade...foi então o professor que errou? a sociedade que o discriminou? o governo (sempre ele) que não o amparou? Não! Foi aquele aluno que tendo o livre arbítrio como qualquer pessoa teve os dois caminhos a sua disposição e optou pelo mais fácil, que quase sempre é o errado.
A ESCOLHA PELO CAMINHO ERRADO NÃO É UNANIMIDADE.
O tópico anterior puxa esse aqui. O velho papo de que "não tive oportunidades suficientes" é bom pra declarações sentimentalistas de pobres coitados! Há exemplos em nossa sociedade de pessoas com estilos de vida idênticos, vindo de origem semelhante, com ausência familiar igual e que mesmo assim conseguiram se tornar cidadãos de bem, enquanto outras desistiram. Alguns professores marcam vidas, outros passam batidos...mas se o aluno não tiver vontade de mudar, de correr atrás, de ser alguém melhor, ninguém fara isso por ele. E o professor jamais deverá sentir culpa pelos erros na vida de sua turma, ele precisa ter a postura confiante de que está fazendo o melhor que pode, se isso vai atingir a todos ou não, é outra história.
CONFIANÇA NO TRABALHO QUE FAZ É A CHAVE PARA O SUCESSO!
Esse título parece início de capítulo de livro de autoajuda, mas a ideia é essa: ou você faz um trabalho decente ou não faz nada. E se não fizer nada não poderá reclamar depois das frustrações na carreira. Foi uma escolha sua!
No estágio conheci todo tipo de professor: os gentis, os grossos, os frustrados e os apaixonados pela profissão, os pessimistas, os otimistas...enfim, há todo tipo de gente dando aula.
Conheci professores, que não sei ao certo quais matérias dão, mas são gentis, tranquilos, estão sempre rindo, me cumprimentam sempre também, perguntam se estou gostando da escola, compartilham ideias, sugerem propostas de aula e mesmo os que não falam comigo, mantêm uma postura profissional, chegam tomam seu café, corrigem suas provas, são educados e se relacionam muito bem com os alunos.
Por serem boas pessoas isso se reflete nos seus trabalhos, logo, se sabem o que estão fazendo, qual a finalidade, porque e por quem estão ali, já é meio caminho andado para o sucesso.
Há também os professores estressados, reclamões, que estão sempre com dor de cabeça, esses são a minoria, mas ainda existem. Parece que em algum lugar no percusso perceberam que ensinar não era pra eles, mas ao invés de mudarem de profissão, se acomodaram e ficaram lá, entregues a monotonia, pedindo aos dias que passem e os deixem...são bons professores? Não sei.
E há a professora que dá aula na turma que estou, essa merece um parágrafo a parte. É sem dúvida uma das pessoas mais legais que conheci esse ano, simpática, humilde, me ajuda o tempo todo, às vezes ouvindo minhas asneiras, às vezes dividindo opiniões sobre a turma e estratégias para ajudá-los. Tem uma paciência gigante e embora a turma seja muito complicada de se trabalhar, nunca a vi com raiva, no máximo, ao final da aula, um suspiro e um comentário irônico. Uma das peças-chaves que motivou meu interesse pela educação depois que comecei a estagiar foi o que tenho visto diariamente aquela professora fazer. Um trabalho difícil, mas nunca um mau trabalho.
[Fecho aqui então a retrospectiva de meu aprendizado, postarei ainda essa semana as considerações finais e meus planos de retomar o blog ou modifica-lo....isso fica pra depois!]
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quarta-feira, 7 de julho de 2010
Reta Final - 2ª Parte
[29º Dia] 05/07/2010
Ontem a professora passou uma música do Toquinho no começo da aula para eles ouvirem, interpretarem e destacarem algumas palavras que ela pediu. Depois seguimos para a bendita apostila!
Essa apostila do Projeto Fórmula da Vitória é muito bem intencionada, mas o desenvolvimento é meio complicado. A primeira era de charadas e piadas e apresentava as letras, esta segunda é de poemas e apresenta textos curtos. Ok! Ótima ideia! Alfabetizar alunos com poesia, mas a seleção dos textos ficou devendo...há poemas simples e de fácil entendimento, mas outros que nem eu nem a professora conseguimos entender. Segue exemplos:
A música da Morte, a nebulosa
estranha, imensa, música sombria,
passa a tremer pela minh’alma e fria
gela, fica a tremer, maravilhosa…
Onda nervosa e atroz, onda nervosa,
letes sinistro e torvo da agonia,
recresce a lancinante sinfonia,
sobe, numa volúpia dolorosa…
Cruz e Souza
Música da morte?? Letes sinistro? Volúpia dolorosa?! Tem mais...
Vozes veladas, veludosas vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
Cruz e Souza
Perceberam? A ideia nesse último era trabalhar o fonema "V". ok! Mas Volúpia dos violões? Vórtices? Vulcanizada?!?! E pra fechar...
Dê-te estrelas o céu, flores o solo,
Cantos e aroma o ar e sombra a palmar.
E quando surge a lua e o mar se acalma,
Sonhos sem fim seu preguiçoso rolo!
Antero de Quental
Até hoje to pra entender: o que é "sonhos sem fim seu preguiçoso rolo"?!?!!
Entenderam o que digo? Os poemas tem até sua beleza, e não é sobre isso que to discutindo aqui, a questão é que pra uma turma que até a poucos meses atrás não sabia o que era um "A" ou um "B" e já entrar em poemas de falam de vórtices, músicas mórbidas, volúpias e um preguiçoso rolo (juro! se alguém tiver entendido esse último, deixe um comentário me explicando, ok?)
E não para por ai, esses foram o que consegui copiar pra postar, mas há outros um tanto herméticos para uma turma de alfabetização.
Espero que esse projeto tenha uma ficha de sugestões, porque, como já disse, todo o discurso é muito bacana, mas fica um pouco fora do alcance da maioria e desperta a desatenção. Sorte que a professora tem um grande jogo de cintura perante essa poesia complexa. Ela saca um dicionário do armário, propõe uma interpretação com a turma e acaba aproveitando alguma coisa. Só fico pensando qual será a proposta da 3ª apostila...
Ontem a professora passou uma música do Toquinho no começo da aula para eles ouvirem, interpretarem e destacarem algumas palavras que ela pediu. Depois seguimos para a bendita apostila!
Essa apostila do Projeto Fórmula da Vitória é muito bem intencionada, mas o desenvolvimento é meio complicado. A primeira era de charadas e piadas e apresentava as letras, esta segunda é de poemas e apresenta textos curtos. Ok! Ótima ideia! Alfabetizar alunos com poesia, mas a seleção dos textos ficou devendo...há poemas simples e de fácil entendimento, mas outros que nem eu nem a professora conseguimos entender. Segue exemplos:
A música da Morte, a nebulosa
estranha, imensa, música sombria,
passa a tremer pela minh’alma e fria
gela, fica a tremer, maravilhosa…
Onda nervosa e atroz, onda nervosa,
letes sinistro e torvo da agonia,
recresce a lancinante sinfonia,
sobe, numa volúpia dolorosa…
Cruz e Souza
Música da morte?? Letes sinistro? Volúpia dolorosa?! Tem mais...
Vozes veladas, veludosas vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
Cruz e Souza
Perceberam? A ideia nesse último era trabalhar o fonema "V". ok! Mas Volúpia dos violões? Vórtices? Vulcanizada?!?! E pra fechar...
Dê-te estrelas o céu, flores o solo,
Cantos e aroma o ar e sombra a palmar.
E quando surge a lua e o mar se acalma,
Sonhos sem fim seu preguiçoso rolo!
Antero de Quental
Até hoje to pra entender: o que é "sonhos sem fim seu preguiçoso rolo"?!?!!
Entenderam o que digo? Os poemas tem até sua beleza, e não é sobre isso que to discutindo aqui, a questão é que pra uma turma que até a poucos meses atrás não sabia o que era um "A" ou um "B" e já entrar em poemas de falam de vórtices, músicas mórbidas, volúpias e um preguiçoso rolo (juro! se alguém tiver entendido esse último, deixe um comentário me explicando, ok?)
E não para por ai, esses foram o que consegui copiar pra postar, mas há outros um tanto herméticos para uma turma de alfabetização.
Espero que esse projeto tenha uma ficha de sugestões, porque, como já disse, todo o discurso é muito bacana, mas fica um pouco fora do alcance da maioria e desperta a desatenção. Sorte que a professora tem um grande jogo de cintura perante essa poesia complexa. Ela saca um dicionário do armário, propõe uma interpretação com a turma e acaba aproveitando alguma coisa. Só fico pensando qual será a proposta da 3ª apostila...
Talvez numa turma como essa os poemas fizessem mais sucesso!
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terça-feira, 6 de julho de 2010
Reta Final
[28º Dia] - 1/07/2010
Véspera de um no feriadão por causa da Copa! Infelizmente, como já disse antes, devido ao ritmo de final de período lá na faculdade, atualizar o blog tem sido bem difícil. Agora a pouco, por exemplo, terminei um trabalho para Fundbras I que terei que apresentar num seminário depois de amanhã. Sobre o dia 01/07 não me lembro com clareza o que se passou. Mais vou tentar fazer uma retrospectiva de fatos que passaram batidos nos últimos dias.
- Levei o cartaz com as bandeiras que tinha feito no 25º Dia, consegui colocá-lo num lugar de destaque no corredor perto da entrada, não sei se todos notaram, mas como tinha dito que levaria, então está lá!
- Alguns alunos estão matando aula demais, quando chego vejo sempre os mesmos rostos no pátio, uns 3, aviso para subirem porque a professora já deve ter começado, alguns ignoram, outro dizem "já to indo!" e não vão. A velha situação que já abordei aqui, se uma pessoal não ocorre atrás, não se pode correr por ela.
- Propus para a professora algumas ideias para otimizar a turma no segundo semestre. Como já estou bem por dentro de todo o ritmo dos alunos e como funciona as engrenagens daquela escola, disse que seria bom se em um determinado tempo do dia eu pegasse aqueles alunos com dificuldades básicas como reconhecer alfabeto (que por incrível coincidência são os mais bagunceiros!), levá-los para uma outra sala e repassar toda a matéria, como um reforço do reforço. Representar as letras e passar exercícios bem elementares para que não fiquem tão atrasados perante o resto da turma. A professora gostou! Vai poder dar mais atenção aos que estão progredindo, mas ainda precisam de orientação e os bagunceiros que não funcionam na turma, terão uma nova chance de aprender.
Isso seria só durante um tempo do dia, o resto eles ficariam junto com os outros. Noto que a maioria tá indo bem, mais da metade já está alfabetizada e daqui pro final do ano é só reforçar bastante a leitura e a escrita. Minha meta inicial era fazer um trabalho sério, contribuindo para o sucesso desse projeto da escola de ajuda a alunos com dificuldades em séries avançadas, posso também estar ajudando futuros alunos. Não sei ainda se essa turma existirá ano que vem, entretanto se entregarmos um resultado positivo no final, as chances são maiores de outros alunos usufruirem dessa oportunidade.
Véspera de um no feriadão por causa da Copa! Infelizmente, como já disse antes, devido ao ritmo de final de período lá na faculdade, atualizar o blog tem sido bem difícil. Agora a pouco, por exemplo, terminei um trabalho para Fundbras I que terei que apresentar num seminário depois de amanhã. Sobre o dia 01/07 não me lembro com clareza o que se passou. Mais vou tentar fazer uma retrospectiva de fatos que passaram batidos nos últimos dias.
- Levei o cartaz com as bandeiras que tinha feito no 25º Dia, consegui colocá-lo num lugar de destaque no corredor perto da entrada, não sei se todos notaram, mas como tinha dito que levaria, então está lá!
- Alguns alunos estão matando aula demais, quando chego vejo sempre os mesmos rostos no pátio, uns 3, aviso para subirem porque a professora já deve ter começado, alguns ignoram, outro dizem "já to indo!" e não vão. A velha situação que já abordei aqui, se uma pessoal não ocorre atrás, não se pode correr por ela.
- Propus para a professora algumas ideias para otimizar a turma no segundo semestre. Como já estou bem por dentro de todo o ritmo dos alunos e como funciona as engrenagens daquela escola, disse que seria bom se em um determinado tempo do dia eu pegasse aqueles alunos com dificuldades básicas como reconhecer alfabeto (que por incrível coincidência são os mais bagunceiros!), levá-los para uma outra sala e repassar toda a matéria, como um reforço do reforço. Representar as letras e passar exercícios bem elementares para que não fiquem tão atrasados perante o resto da turma. A professora gostou! Vai poder dar mais atenção aos que estão progredindo, mas ainda precisam de orientação e os bagunceiros que não funcionam na turma, terão uma nova chance de aprender.
Isso seria só durante um tempo do dia, o resto eles ficariam junto com os outros. Noto que a maioria tá indo bem, mais da metade já está alfabetizada e daqui pro final do ano é só reforçar bastante a leitura e a escrita. Minha meta inicial era fazer um trabalho sério, contribuindo para o sucesso desse projeto da escola de ajuda a alunos com dificuldades em séries avançadas, posso também estar ajudando futuros alunos. Não sei ainda se essa turma existirá ano que vem, entretanto se entregarmos um resultado positivo no final, as chances são maiores de outros alunos usufruirem dessa oportunidade.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Demonstrações de aluno
[27º Dia]
As aulas hoje foram tranquilas com reforço de leitura, escrita e correção de alguns exercícios, então para não ser repetitivo, ao invés de descrever o dia, decidi escrever um pouco sobre a observação de um aspecto do universo escola.
*
Depois de um feriadão de 4 dias devido a Copa a turma voltou bem agitada. Quando se enfrenta uma turma não se pode sempre ter a visão romântica de que você chegará na sala e os alunos te receberão com um "boa tarde!" caloroso ou um mero sorriso de concordância com a sua presença.
Não sei se eles tem dificuldade em demonstrar ou se não estão nem ai. Fico com a primeira opção. É preciso ter muita cautela na observação e nunca, jamais, levar pro lado pessoal críticas ou "caras feiras". Um aluno que passa quase 1 hora fazendo um exercício contigo do lado, pode, logo após o recreio, te olhar torto e, às vezes, até xingar. A conquista da confiança de uma turma é um trabalho de muita paciência, se já é assim com apenas uma pessoa, o que dirá com várias de todos os tipos.
Tento ver a relação que tenho com os professores na faculdade e emular para a relação que tenho com os alunos na escola. No começo, quando a aula no estágio acabava, eles saiam correndo da sala, nem um "tchau!" eu recebia ou quando passava por alguém na entrada, poucas vezes recebia um cumprimento, ficava meio frustrado e pensando aonde é que errei para não cativá-los o suficiente a ponto de falarem comigo naturalmente.
Depois fiquei pensando, "eu me despeso de todos os meus professores quando termino de assistir uma aula?" a resposta é não! Na verdade acho que raramente me despesso de algum, e isso não quer dizer que eu goste menos de uma aula ou de outra, só quer dizer que saio de uma aula já pensando na próxima ou na pressa de ir embora pro estágio. Mesma situação quando passo por um professor no corredor, às vezes fico sem graça de cumprimentá-lo, enquanto penso "falar ou não falar" ele já passou e quase sempre saio da última aula do dia meia hora antes dela terminar para ter tempo de almoçar antes de pegar a turma. Todos esses indícios poderiam levar um professor sensível a supor: "Dei aula para fulano o semestre inteiro, agora ele passa por mim e nem diz um 'oi'!" ou "poxa...minha aula está tão ruim que fulano precisou sair no meio?"
A verdade é que se enxerga o que se quer, não se pode ser muito radical e ver cada ato ou frase de um aluno como afronta ou desdém, nem também achar que sempre se é o dono supremo da razão e se os alunos não o aceitam, azar o deles. Nem tão ao céu nem tão a terra.
Alguns alunos são mais atenciosos e é perceptível que tentam suprir uma carência familiar com a figura do professor, já que em casa, muitas vezes, não têm uma imagem de autoridade, outros podem até ser carentes também, mas exteriorizam isso se definindo como independentes, não precisando de nada e ninguém, é o modo de defesa e de encarar o mundo que cada um conseguiu desenvolver.
Cabe ao bom educador reconhecer com sabedoria todos os sinais e todas as informações que o aluno traz, o melhor caminho para isso é realizar um trabalho consistente, planejado e sério, se não se pode agradar a todos, pelo menos deve-se tentar da melhor maneira possível.
As aulas hoje foram tranquilas com reforço de leitura, escrita e correção de alguns exercícios, então para não ser repetitivo, ao invés de descrever o dia, decidi escrever um pouco sobre a observação de um aspecto do universo escola.
*
Depois de um feriadão de 4 dias devido a Copa a turma voltou bem agitada. Quando se enfrenta uma turma não se pode sempre ter a visão romântica de que você chegará na sala e os alunos te receberão com um "boa tarde!" caloroso ou um mero sorriso de concordância com a sua presença.
Não sei se eles tem dificuldade em demonstrar ou se não estão nem ai. Fico com a primeira opção. É preciso ter muita cautela na observação e nunca, jamais, levar pro lado pessoal críticas ou "caras feiras". Um aluno que passa quase 1 hora fazendo um exercício contigo do lado, pode, logo após o recreio, te olhar torto e, às vezes, até xingar. A conquista da confiança de uma turma é um trabalho de muita paciência, se já é assim com apenas uma pessoa, o que dirá com várias de todos os tipos.
Tento ver a relação que tenho com os professores na faculdade e emular para a relação que tenho com os alunos na escola. No começo, quando a aula no estágio acabava, eles saiam correndo da sala, nem um "tchau!" eu recebia ou quando passava por alguém na entrada, poucas vezes recebia um cumprimento, ficava meio frustrado e pensando aonde é que errei para não cativá-los o suficiente a ponto de falarem comigo naturalmente.
Depois fiquei pensando, "eu me despeso de todos os meus professores quando termino de assistir uma aula?" a resposta é não! Na verdade acho que raramente me despesso de algum, e isso não quer dizer que eu goste menos de uma aula ou de outra, só quer dizer que saio de uma aula já pensando na próxima ou na pressa de ir embora pro estágio. Mesma situação quando passo por um professor no corredor, às vezes fico sem graça de cumprimentá-lo, enquanto penso "falar ou não falar" ele já passou e quase sempre saio da última aula do dia meia hora antes dela terminar para ter tempo de almoçar antes de pegar a turma. Todos esses indícios poderiam levar um professor sensível a supor: "Dei aula para fulano o semestre inteiro, agora ele passa por mim e nem diz um 'oi'!" ou "poxa...minha aula está tão ruim que fulano precisou sair no meio?"
A verdade é que se enxerga o que se quer, não se pode ser muito radical e ver cada ato ou frase de um aluno como afronta ou desdém, nem também achar que sempre se é o dono supremo da razão e se os alunos não o aceitam, azar o deles. Nem tão ao céu nem tão a terra.
Alguns alunos são mais atenciosos e é perceptível que tentam suprir uma carência familiar com a figura do professor, já que em casa, muitas vezes, não têm uma imagem de autoridade, outros podem até ser carentes também, mas exteriorizam isso se definindo como independentes, não precisando de nada e ninguém, é o modo de defesa e de encarar o mundo que cada um conseguiu desenvolver.
Cabe ao bom educador reconhecer com sabedoria todos os sinais e todas as informações que o aluno traz, o melhor caminho para isso é realizar um trabalho consistente, planejado e sério, se não se pode agradar a todos, pelo menos deve-se tentar da melhor maneira possível.
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domingo, 27 de junho de 2010
Da culpa pelo fracasso
[26º Dia] 24/06/2010 - "Tá acabaanoo! tá acabaano!!"
Cheguei um pouco atrasado (praticamente como todas as quartas) vi a professora, uma aluna e uma mulher na porta da sala de aula conversando. Passei em frente indo para o bebedouro, e também para verem que eu já tinha chegado, foi quando eu estava já no final do corredor a professora me chamou:
- Diego! Acho que seria bom você conversar com ela também!
- ?
- Essa é a mãe da fulana!
- !
Essa fulana é uma aluna bem encrenqueira que tinha sido suspensa das aulas por ser muito bagunceira e desbocada, disseram que ela só poderia assistir as aulas se estivesse na presença do responsável, isso foi a 2 semanas, responsável nenhum apareceu...até aquele momento.
Fiquei sabendo que a fulana mentiu pra mãe, dizendo que estava indo pra escola, quando na verdade ia para o morro do Pinto (morro próximo da Central do Brasil) matar aula com outro colega, que também está sumido.
A professora pediu minha opinião, disse então que seria curto e grosso, a mãe da menina me interrompeu então: "Ah, pode dizer! Ela é mal educada, folgada, respondona...." Então cortei-a : "Bom, fulana é uma menina muito inteligente, sabe da matéria, tá adiantada SÓ QUE às vezes é um pouco agitada demais, xinga muito e isso a atrapalha e a aula, mas se ela corrigir isso é MB (nota máxima) na certa. Lembrando que nesses casos, quando o responsável já sabe de todos os problemas do filho, ficar só criticando não ajuda, deve-se começar com elogios e ir apontando as dificuldades do aluno.
A mãe pediu várias desculpas por não ter aparecido antes, disse que realmente não sabia, que tinha mais 6 filhos (!), que trabalhava como faxineira, mas sempre priorizava a escola, que preferia faltar ao emprego que perder uma reunião de pais...deu pena daquela senhora! No final da conversa a professora voltou pra turma e eu fiquei mais uns minutos conversando com a responsável, disse que basicamente era isso, que não tinha muito mais o que dizer e a elogiei pelo interesse na vida estudantil da filha, que era de pais assim que a escola precisava, ou seja, sei que ela estava sabendo da gravidade da situação então pra não ficar uma situação muito desconfortável tentei ser direto, sem ser muito agressivo nas críticas.
Ai está uma situação complicada. Por um lado se culpa os professores pela falta de atenção dos alunos, pelo baixo rendimento, o professor é o bode expiatório de tudo de ruim que se passa na educação, o testa de ferro dos maus índices, das reprovações e evasões. Por outro lado julga-se os pais, por não darem educação aos filhos, por serem relapsos, não atenciosos, não passarem os valores básicos de ética e responsabilidade...E num caso dessses?
Quando os professores estão se esforçando ao máximo para ajudar aqueles alunos e vê-se uma mãe tão envergonhada pela situação ("ela sabe que tem que estudar! eu converso isso com ela, eu trabalho limpando mijo dos outros, é isso que ela quer da vida? Eu fico com vergonha de pegar os cadernos dela, porque só estudei até a 4ª série, mas sempre falo da importância dos estudos...não sabia que ela tava assim!") e que apesar de tudo tenta dar um mínimo para a filha, uma oportunidade que ela não teve.
Nunca culpa-se os alunos. Porque não estão plenos de suas responsabilidades? Por serem imaturos? Inocentes? Por precisarem de orientação? Então todos os atos são culpas de quem os cerca...os professores, os pais, as influências dos amigos (estes com a mesma idade), mas nunca é culpa do jovem, por quê?
Esse fato me pôs para pensar em como, às vezes, a culpa pelo fracasso de alguém é da própria pessoa e até que ponto esse fracasso pode e deve ser dividido pelos que a influenciam (ou influenciaram). Pessoas com estilos de vida idênticos podem nem sempre ter percursos semelhantes na vida, então fica claro, que seja aluno, cidadão, pais, irmãos, filhos, todos têm o livre arbítrio para ditar os rumos de sua vida, nem sempre as condições serão favoráveis e o esforço em alguns casos poderá sem bem maior que em outros, mas nunca poderá se culpar o destino ou "as circustâncias" pelo rumo de vida, no final das contas, a culpa pela vitória ou pelo fracasso é somente nossa.
Cheguei um pouco atrasado (praticamente como todas as quartas) vi a professora, uma aluna e uma mulher na porta da sala de aula conversando. Passei em frente indo para o bebedouro, e também para verem que eu já tinha chegado, foi quando eu estava já no final do corredor a professora me chamou:
- Diego! Acho que seria bom você conversar com ela também!
- ?
- Essa é a mãe da fulana!
- !
Essa fulana é uma aluna bem encrenqueira que tinha sido suspensa das aulas por ser muito bagunceira e desbocada, disseram que ela só poderia assistir as aulas se estivesse na presença do responsável, isso foi a 2 semanas, responsável nenhum apareceu...até aquele momento.
Fiquei sabendo que a fulana mentiu pra mãe, dizendo que estava indo pra escola, quando na verdade ia para o morro do Pinto (morro próximo da Central do Brasil) matar aula com outro colega, que também está sumido.
A professora pediu minha opinião, disse então que seria curto e grosso, a mãe da menina me interrompeu então: "Ah, pode dizer! Ela é mal educada, folgada, respondona...." Então cortei-a : "Bom, fulana é uma menina muito inteligente, sabe da matéria, tá adiantada SÓ QUE às vezes é um pouco agitada demais, xinga muito e isso a atrapalha e a aula, mas se ela corrigir isso é MB (nota máxima) na certa. Lembrando que nesses casos, quando o responsável já sabe de todos os problemas do filho, ficar só criticando não ajuda, deve-se começar com elogios e ir apontando as dificuldades do aluno.
A mãe pediu várias desculpas por não ter aparecido antes, disse que realmente não sabia, que tinha mais 6 filhos (!), que trabalhava como faxineira, mas sempre priorizava a escola, que preferia faltar ao emprego que perder uma reunião de pais...deu pena daquela senhora! No final da conversa a professora voltou pra turma e eu fiquei mais uns minutos conversando com a responsável, disse que basicamente era isso, que não tinha muito mais o que dizer e a elogiei pelo interesse na vida estudantil da filha, que era de pais assim que a escola precisava, ou seja, sei que ela estava sabendo da gravidade da situação então pra não ficar uma situação muito desconfortável tentei ser direto, sem ser muito agressivo nas críticas.
Ai está uma situação complicada. Por um lado se culpa os professores pela falta de atenção dos alunos, pelo baixo rendimento, o professor é o bode expiatório de tudo de ruim que se passa na educação, o testa de ferro dos maus índices, das reprovações e evasões. Por outro lado julga-se os pais, por não darem educação aos filhos, por serem relapsos, não atenciosos, não passarem os valores básicos de ética e responsabilidade...E num caso dessses?
Quando os professores estão se esforçando ao máximo para ajudar aqueles alunos e vê-se uma mãe tão envergonhada pela situação ("ela sabe que tem que estudar! eu converso isso com ela, eu trabalho limpando mijo dos outros, é isso que ela quer da vida? Eu fico com vergonha de pegar os cadernos dela, porque só estudei até a 4ª série, mas sempre falo da importância dos estudos...não sabia que ela tava assim!") e que apesar de tudo tenta dar um mínimo para a filha, uma oportunidade que ela não teve.
Nunca culpa-se os alunos. Porque não estão plenos de suas responsabilidades? Por serem imaturos? Inocentes? Por precisarem de orientação? Então todos os atos são culpas de quem os cerca...os professores, os pais, as influências dos amigos (estes com a mesma idade), mas nunca é culpa do jovem, por quê?
Esse fato me pôs para pensar em como, às vezes, a culpa pelo fracasso de alguém é da própria pessoa e até que ponto esse fracasso pode e deve ser dividido pelos que a influenciam (ou influenciaram). Pessoas com estilos de vida idênticos podem nem sempre ter percursos semelhantes na vida, então fica claro, que seja aluno, cidadão, pais, irmãos, filhos, todos têm o livre arbítrio para ditar os rumos de sua vida, nem sempre as condições serão favoráveis e o esforço em alguns casos poderá sem bem maior que em outros, mas nunca poderá se culpar o destino ou "as circustâncias" pelo rumo de vida, no final das contas, a culpa pela vitória ou pelo fracasso é somente nossa.
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sexta-feira, 25 de junho de 2010
Ultrapassando a mesa
[25º Dia] - 23/06/2010
A professora precisou ir a uma reunião e não poderia chegar a tempo, pediu então se eu poderia ficar com eles. Fiquei. Já com todas as neuras, preocupações e inseguranças que as últimas experiências com os alunos tinham me colocado, mas dessa vez foi bem diferente.
Como a aula iria só até o recreio e depois eles seriam liberados, consegui trabalhar alguns exercícios com menos correria. Comecei retomando a parte de matemática que tinha parado quando fiquei sozinho lá da última vez: multiplicação. Segui para contas de x3 e x4. A turma estava vazia, uns 12, alguns que me viram chegando, e ficaram sabendo que a professora não viria, fugiram, com os que ficaram fui calmamente apresentando as contas e os conceitos das contas de multiplicação corretamente, embora isso já tenha sido dito antes, eles esquecem tudo muito rápido, alguns ainda sem confundem com multiplicação de x0 ou x1...foi preciso retomar muita coisa e incluir novidade. Enchi o quadro, todos copiaram em silêncio (!) e conforme as dúvidas iam aparecendo, ia de mesa em mesa ajudando, depois, quando todos já tinham feito, segui o esquema de correção, perguntando quem gostaria de ir no quadro resolver a questão, e como da última vez eles se empolgaram:
- Eu fico com a letra A !!! Eu com a J !!!! Eu quero a letra B !!! Não, não, a letra B é minha, eu pedi primeiro!! E daí?! Eu que vou fazer!! Euu! Zerim ou um então! Ganhei!! Eu faço! Você roubou!! Ahhh!
Depois da bagunça decidi que cada um iria ao quadro, faria a questão e a próxima, caso mais de um quisesse fazer, seria decidida no par ou ímpar. Que absurdo! Eles se empurrando pra serem os primeiros a fazer um dever...fenômenos de sala de aula.
Quando acertavam, eu colocava um sinal de visto e o nome de quem fez em cima da conta, dessa forma valorizava o acerto, o expondo pra turma, isso faz bem pra deles, de modo que lá pro final tinha aluno perguntando:
- Acertei professor??
- Acertou!
- Deixa que eu coloco meu nome na conta então!! (E tascava uma assinatura muito peculiar)
Depois da matemática fomos pro português, português disfarçado é claro. Nada de texto no quadro pra copiarem, nem apostila, não tenho segurança ainda com esses instrumentos, prefiro ir pro outro caminho. Dessa vez levei várias bandeiras em preto e branco de países que estão na copa de futebol, a primeira tarefa era cada um pintar a bandeira, dei preferência para bandeiras não tão populares (Costa do Marfim, República do Gana, Coréia do Norte, Argélia...) e escrevi de lápis qual era a cor de cada parte, então para pintarem corretamente teriam que ler corretamente! Depois deveriam escrever duas frases relacionadas a futebol ou ao país que receberam abaixo da pintura que fizeram. Dessa forma eles tiveram que exercitar o conhecimento que tinham. Ex:
- Professor!!! Aqui é que cor?
- Tá escrito! Qual a primeira letra?
- V !
- Então, tem alguma cor que começa com V?
- (pensando...) Verde?
- (alguém de fora do diálogo grita) Vermelho também!!
- Então, qual a segunda letra? E a terceira? Lê com calma uma letra de cada vez que você descobre a cor
- V...E...R....
- Até ai as duas cores são iguais...qual a próxima?
E assim ia, eles tentando ler e eu ajudando só o necessário, pra que desenvolvessem suas ferramentas de leitura de forma própria, sem apenas repetir.A maioria conseguiu, alguns, é bem verdade, apenas copiaram do colega, outros não quiseram e ficaram andando pela sala. Fiz o que pude. O saldo geral foi positivo!
Disse que depois montaria um cartaz com todas as bandeiras e frases que fizeram e colocaria em algum corredor da escola, ficaram vaidosos. Como são uma turma fora da grade regular, ou seja, deveriam estar no 6º ano, mas estão no primeiro andar sendo alfabetizados, qualquer trabalho que os mostre para o resto dos estudantes é importante.
Depois do intervalo foram liberados, pegaram suas carteirinhas e foram pra casa. Quando eu estava indo embora 2 alunas me pararam:
- Ahh! Eu não quero ir embora, professor! Passa dever pra gente!
- ?!
- Fulana, o diretor disse que vocês podem ir!
- O senhor precisa ir embora? Não pode ficar?
- .....(what?!?!).....Claro! Eu fico com vocês mais meia-hora, ok? (após o recreio eles tem mais 1h de aula antes de ir embora)
Esse diálogo é ainda mais inusitado porque dele participou também aquela aluna que me criticou semanas atrás. Lembra? Que disse que eu era chato, que preferia a professora, etc...
Então, pedi pra que escolhessem um livro que iríamos ler juntos, nisso apareceu um aluno que também quis ficar. Éramos 4.
Fiquei na sala então com os três sentados a minha volta e o livro no meio, sobre a mesa, com cada um lendo uma página. Era um livro simples, com no máximo 3 frases por página e muitas ilustrações, entretanto para eles que até o começo do ano eram analfabetos terminar aquela leitura era uma grande conquista.
Foram lendo, entre alguns tropeços e caras de frustração por não entenderem um "NH" ou "SS" , que prontamente explicava como se pronunciava, foram ficando mais confiantes lá pro meio já liam página inteira sem interrupção. Foi um dos momentos mais incríveis, tanto pela evolução deles, que to acompanhando de perto, quanto por aquela aluna raivosa que preferiu ficar ali lendo comigo! Passado uns 40 min. disse que precisava ir, eles se despediram e foram.
No primeiro post disse que seria uma vitória se pudesse subir na mesa sem ser encarado como maluco, naquela referência ao filme Sociedade dos Poetas Mortos, então faltando 5 dias pra fechar minhas anotações aqui, digo que esse dia, aquele instante, com certeza, ultrapassou a mesa.
Alguns já estão se levantado, percebendo sua realidade e se esforçando pra melhorar. Até o final do ano espero ver todos de pé!
A professora precisou ir a uma reunião e não poderia chegar a tempo, pediu então se eu poderia ficar com eles. Fiquei. Já com todas as neuras, preocupações e inseguranças que as últimas experiências com os alunos tinham me colocado, mas dessa vez foi bem diferente.
Como a aula iria só até o recreio e depois eles seriam liberados, consegui trabalhar alguns exercícios com menos correria. Comecei retomando a parte de matemática que tinha parado quando fiquei sozinho lá da última vez: multiplicação. Segui para contas de x3 e x4. A turma estava vazia, uns 12, alguns que me viram chegando, e ficaram sabendo que a professora não viria, fugiram, com os que ficaram fui calmamente apresentando as contas e os conceitos das contas de multiplicação corretamente, embora isso já tenha sido dito antes, eles esquecem tudo muito rápido, alguns ainda sem confundem com multiplicação de x0 ou x1...foi preciso retomar muita coisa e incluir novidade. Enchi o quadro, todos copiaram em silêncio (!) e conforme as dúvidas iam aparecendo, ia de mesa em mesa ajudando, depois, quando todos já tinham feito, segui o esquema de correção, perguntando quem gostaria de ir no quadro resolver a questão, e como da última vez eles se empolgaram:
- Eu fico com a letra A !!! Eu com a J !!!! Eu quero a letra B !!! Não, não, a letra B é minha, eu pedi primeiro!! E daí?! Eu que vou fazer!! Euu! Zerim ou um então! Ganhei!! Eu faço! Você roubou!! Ahhh!
Depois da bagunça decidi que cada um iria ao quadro, faria a questão e a próxima, caso mais de um quisesse fazer, seria decidida no par ou ímpar. Que absurdo! Eles se empurrando pra serem os primeiros a fazer um dever...fenômenos de sala de aula.
Quando acertavam, eu colocava um sinal de visto e o nome de quem fez em cima da conta, dessa forma valorizava o acerto, o expondo pra turma, isso faz bem pra deles, de modo que lá pro final tinha aluno perguntando:
- Acertei professor??
- Acertou!
- Deixa que eu coloco meu nome na conta então!! (E tascava uma assinatura muito peculiar)
Depois da matemática fomos pro português, português disfarçado é claro. Nada de texto no quadro pra copiarem, nem apostila, não tenho segurança ainda com esses instrumentos, prefiro ir pro outro caminho. Dessa vez levei várias bandeiras em preto e branco de países que estão na copa de futebol, a primeira tarefa era cada um pintar a bandeira, dei preferência para bandeiras não tão populares (Costa do Marfim, República do Gana, Coréia do Norte, Argélia...) e escrevi de lápis qual era a cor de cada parte, então para pintarem corretamente teriam que ler corretamente! Depois deveriam escrever duas frases relacionadas a futebol ou ao país que receberam abaixo da pintura que fizeram. Dessa forma eles tiveram que exercitar o conhecimento que tinham. Ex:
- Professor!!! Aqui é que cor?
- Tá escrito! Qual a primeira letra?
- V !
- Então, tem alguma cor que começa com V?
- (pensando...) Verde?
- (alguém de fora do diálogo grita) Vermelho também!!
- Então, qual a segunda letra? E a terceira? Lê com calma uma letra de cada vez que você descobre a cor
- V...E...R....
- Até ai as duas cores são iguais...qual a próxima?
E assim ia, eles tentando ler e eu ajudando só o necessário, pra que desenvolvessem suas ferramentas de leitura de forma própria, sem apenas repetir.A maioria conseguiu, alguns, é bem verdade, apenas copiaram do colega, outros não quiseram e ficaram andando pela sala. Fiz o que pude. O saldo geral foi positivo!
Disse que depois montaria um cartaz com todas as bandeiras e frases que fizeram e colocaria em algum corredor da escola, ficaram vaidosos. Como são uma turma fora da grade regular, ou seja, deveriam estar no 6º ano, mas estão no primeiro andar sendo alfabetizados, qualquer trabalho que os mostre para o resto dos estudantes é importante.
Depois do intervalo foram liberados, pegaram suas carteirinhas e foram pra casa. Quando eu estava indo embora 2 alunas me pararam:
- Ahh! Eu não quero ir embora, professor! Passa dever pra gente!
- ?!
- Fulana, o diretor disse que vocês podem ir!
- O senhor precisa ir embora? Não pode ficar?
- .....(what?!?!).....Claro! Eu fico com vocês mais meia-hora, ok? (após o recreio eles tem mais 1h de aula antes de ir embora)
Esse diálogo é ainda mais inusitado porque dele participou também aquela aluna que me criticou semanas atrás. Lembra? Que disse que eu era chato, que preferia a professora, etc...
Então, pedi pra que escolhessem um livro que iríamos ler juntos, nisso apareceu um aluno que também quis ficar. Éramos 4.
Fiquei na sala então com os três sentados a minha volta e o livro no meio, sobre a mesa, com cada um lendo uma página. Era um livro simples, com no máximo 3 frases por página e muitas ilustrações, entretanto para eles que até o começo do ano eram analfabetos terminar aquela leitura era uma grande conquista.
Foram lendo, entre alguns tropeços e caras de frustração por não entenderem um "NH" ou "SS" , que prontamente explicava como se pronunciava, foram ficando mais confiantes lá pro meio já liam página inteira sem interrupção. Foi um dos momentos mais incríveis, tanto pela evolução deles, que to acompanhando de perto, quanto por aquela aluna raivosa que preferiu ficar ali lendo comigo! Passado uns 40 min. disse que precisava ir, eles se despediram e foram.
No primeiro post disse que seria uma vitória se pudesse subir na mesa sem ser encarado como maluco, naquela referência ao filme Sociedade dos Poetas Mortos, então faltando 5 dias pra fechar minhas anotações aqui, digo que esse dia, aquele instante, com certeza, ultrapassou a mesa.
Alguns já estão se levantado, percebendo sua realidade e se esforçando pra melhorar. Até o final do ano espero ver todos de pé!
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segunda-feira, 21 de junho de 2010
Se usa o que se aprende?
[24º Dia]
A turma estava vazia no começo do dia, foi distribuído para cada um uma folha com um 3 desenhos em preto e branco do Gian Calvi e um espaço em baixo, a proposta era para pensarem em frases que representassem cada imagem e depois pintar.
Essas atividades de colorir, desenhar, recortar, colar, assistir filmes e ouvir músicas podem, à primeira vista, parecer infantis para uma turma de adolescentes, mas se os exercícios não forem intermeados por situações lúdicas, os alunos acabam ficando desinteressados, então nesses momentos eles relaxam um pouco e acabam assimilando o conteúdo com mais facilidade. É claro que sempre tem os do contra que nunca estão satisfeitos com nada, reclamam quando tem muita coisa pra copiar no quadro e reclamam quando os deveres são mais leves, mas até esses, depois de um pouco de pirraça, acabam embarcando e fazendo o que foi pedido.
Quando terminaram essa primeira parte a professora distribuiu folha de exercícios sobre palavras com CH e X, em que várias palavras deveriam ser completadas e depois conferidas na correção e também uma folha com frases onde o F e o V estavam faltando, o aluno então deveria completá-las, essas dúvidas são muito comuns entre eles e achei muito importante a professora reforçar certos dados primários, mas que hora e meia confundem alguns.
Na faculdade aprende-se que F e V são fonemas fricativos labiodentais, esse tipo de informação vale para os pesquisadores (é isso que a faculdade forma, não é?) mas para um professor é mera curiosidade linguística, na prática, numa sala de aula, o que interessa é que os alunos confundem essas letras e deve-se a todo tempo reforçar com exercícios, através de leitura e escrita o modo correto de produção. Vogal média-alta posterior? Não é " Ô ". Oclusiva alveolar sonora? É "D". O tempo vai passando e até agora tenho notado a disparidade entre a teoria do ensino superior e a prática da profissão, é interessante conhecer os meandros do idioma, essencial diria, mas no fim das contas é como ouvi várias vezes: a faculdade é só um caminho obrigatório, como, quando e o quê fazer, só se aprende na prática...e assim tem sido!
A turma estava vazia no começo do dia, foi distribuído para cada um uma folha com um 3 desenhos em preto e branco do Gian Calvi e um espaço em baixo, a proposta era para pensarem em frases que representassem cada imagem e depois pintar.
Essas atividades de colorir, desenhar, recortar, colar, assistir filmes e ouvir músicas podem, à primeira vista, parecer infantis para uma turma de adolescentes, mas se os exercícios não forem intermeados por situações lúdicas, os alunos acabam ficando desinteressados, então nesses momentos eles relaxam um pouco e acabam assimilando o conteúdo com mais facilidade. É claro que sempre tem os do contra que nunca estão satisfeitos com nada, reclamam quando tem muita coisa pra copiar no quadro e reclamam quando os deveres são mais leves, mas até esses, depois de um pouco de pirraça, acabam embarcando e fazendo o que foi pedido.
Quando terminaram essa primeira parte a professora distribuiu folha de exercícios sobre palavras com CH e X, em que várias palavras deveriam ser completadas e depois conferidas na correção e também uma folha com frases onde o F e o V estavam faltando, o aluno então deveria completá-las, essas dúvidas são muito comuns entre eles e achei muito importante a professora reforçar certos dados primários, mas que hora e meia confundem alguns.
Na faculdade aprende-se que F e V são fonemas fricativos labiodentais, esse tipo de informação vale para os pesquisadores (é isso que a faculdade forma, não é?) mas para um professor é mera curiosidade linguística, na prática, numa sala de aula, o que interessa é que os alunos confundem essas letras e deve-se a todo tempo reforçar com exercícios, através de leitura e escrita o modo correto de produção. Vogal média-alta posterior? Não é " Ô ". Oclusiva alveolar sonora? É "D". O tempo vai passando e até agora tenho notado a disparidade entre a teoria do ensino superior e a prática da profissão, é interessante conhecer os meandros do idioma, essencial diria, mas no fim das contas é como ouvi várias vezes: a faculdade é só um caminho obrigatório, como, quando e o quê fazer, só se aprende na prática...e assim tem sido!
domingo, 20 de junho de 2010
Visita a exposição de Gian Calvi
[23º Dia] - 18/06/2010
Dia de passeio! A professora levou os alunos até a exposição do ilustrador Gian Calvin no Centro Cultural dos Correios. Dos 25, apenas 12 foram, alguns simplesmente não apareceram e outros não tinham a autorização do responsável pra ir, as 13:30 saimos: a professora na frente guiando-os, a turma no meio e eu no fim da fila vendo se ninguém sairia do caminho ou fugiria.
O percurso foi tranquilo, em cerca de 10 minutos chegamos à exposição, lá uma guia fez a apresenação do local e foi passando informações sobre o artista e sua obra. Por incrível que pareça eles ficaram quietos, sem fazer nenhuma bagunça e, acredite ou não, até tímidos. Não sei se era o ambiente diferente que reprimiu a agitação costumeira ou se o fato dos mais agitados não terem ido, seja como for, a turma gostou, participou e se manteve na maior calmaria até o retorno, quando a professora distribuiu pacotinhos de biscoito pra todos (também ganhei um!) e assim voltamos.No caminho fui conversando com os meninos da turma que estavam mais pro final da fila. Foi papo sobre videogame, eles ficaram meio surpresos de ver o "professor" conhecendo tanto de nintendo e playstantion, embora precise ter certa postura, é bom, às vezes, conversar com eles sobre coisas que fogem do tema escolar, acho que isso os ajuda a me enxergar não como um "adulto" que está ali pra dar ordens, mas como alguém que os entende e quer ajudá-los, certas pessoas acham que esse comportamento pode dar muita liberdade e dificultar a imposição de respeito, porém é importante saber que respeito não se impõe, se conquista.
[Retificando] Sobre o caso da explosão no pátio do último post, soube que o aluno não foi expulso, mas informado que só entrará no colégio com a presença dos responsáveis para uma conversa com o diretor. Menos mal.
[Retificando] Sobre o caso da explosão no pátio do último post, soube que o aluno não foi expulso, mas informado que só entrará no colégio com a presença dos responsáveis para uma conversa com o diretor. Menos mal.
Poster da exposição de Gian Calvi
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
Uma bomba e uma expulsão
Falta pouco mais de 1 mês pro fim desse período na faculdade e a rotina de provas e trabalhos tá aumentando, é complicado conciliar vida acadêmica e profissional, ainda mais quando ambas exigem um alto grau de dedicação, então as atualizações estão capengas por aqui, mas estão indo.
Foi ontem e não sei se pelo cansaço ou pela ausência de algo interessante, mas não me lembro de coisa alguma que valha a pena descrever. Hoje teve.
[22º Dia] - Hoje
Cheguei um pouco cedo, mas a professora já estava lá, arrumando o material dos alunos, aos poucos eles foram chegando e o caos (o bom e velho de sempre!) se instaurou. O primeiro exercício era escolher um poema, dentre os muitos que tinham nos livros sobre a mesa e copiar numa folha, desenhando ao lado algo que o representasse, depois a professora iria montar um cartaz com os trabalhos. Durante o dever, chegou na sala uma "fiscal" do Projeto Vitória (nome genérico do projeto em que essa turma de alfabetização tá inserida), ela conversou com a professora e foi para o final da sala avaliar a turma, cada aluno ia até ela e lia um trecho de um texto. Ninguém se comportou, mesmo com uma "visita" na sala, a professora ficou chateada e conversou sério com a turma ao final.
Incrível como alguns, sempre os que mais precisam, continuam ignorando a importância de se dedicar aos estudos, eu já aprendi a não tomar pra mim problemas que não são meus, ajudo-os o máximo que posso, mas os que não querem, ou acham que não precisam, não insisto mais como antes, porque no final das contas posso dar menos atenção pra alguém que tá interessado por culpa de alguém que tá ali só pra passar o tempo. É triste saber que muitos não passarão de autônomos com baixo estudo em serviços mal remunerados, mas a informação e a ajuda estão ao alcance de todos naquela sala, o que faz com que uns percebam isso e agarrem a oportunidade, enquanto outros a deixam passar é algo que ainda foge meu conhecimento e embora incomode, não mais pertuba.
No intervalo ouvimos da sala sala dos professores um barulho de explosão que parecia ser do pátio, lembrei que vi um aluno com uma caixa de fósforos e uma bombinha na aula e pedi pra ele guardar aquilo, que se a professora pegasse ia dar problema. Outra explosão! Nessa segunda o diretor desceu e pegou o tal aluno.
Os colegas tentaram defendê-lo, dizendo que não tinha sido ele e que tava sendo acusado injustamente, de qualquer forma o aluno acabou sendo expulso. Quando voltou pra pegar o material e ir embora ameaçou "o x9 que gaguetou" de morte (eles sempre ameaçam algo ou alguém de morte). Seja como for, levar bomba e fósforo para a escola não é sinal de boa intenção e ele deu mole porque já o tinha avisado pra guardar, como sempre aviso quando os pego com celular (que segundo uma lei, pode ser confiscado pela professora e só devolvido para o responsável), dessa vez a consequência foi ruim, mas poderia ter sido pior se por acaso aquela bomba tivesse ferido alguém.
Os alunos que ficaram fizeram a montagem de um livro com folhas de exercícios que tinha feito no começo do ano. Muita tesoura, papel picado, cola e bagunça, todos concluíram e depois de copiar um texto de ciências, liberados.
Amanhã irão visitar o centro cultural dos Correios, boa oportunidade pra ver como se comportam fora do habitar escolar. Será a mesma zona? Por via das dúvidas levarei uma espingarda e chumbo!
Reprodução do momento que a bomba explodiu no pátio do colégio. O terreno escolar pode ser bem instável.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
A copa
[18º Dia]
O falso patriotismo nas ruas, as vuvuzelas estalando o timpano, muitos comentários embasados de Fátima Bernardes e recessos descabiveis, enfim a copa do mundo começou!
Na escola a professora pediu para que cada um escrevesse uma carta pra alguém, da forma que soubesse e quisesse. Um fez um convite para o batizado de um filho imaginário (?), fizeram cartas de amor, bilhetes para mãe e escritos de todo tipo, fiquei então nesse primeiro tempo ajudando aqueles com mais dificuldade para articular ideias. O engraçado é ver a teimosia deles, quando pergunto "então, vai escrever pra quem? sobre o que?", dizem "não sei! não sei!", então eu repito a mesma pergunta , em tons diferente de voz e acabam por responder e começar o exercício. O grande desafio não é perceberem o dever, é saberem que sabem o dever, mas só estão com preguiça de se esforçar o bastante. Durante o dia foi assim, sempre repetindo e repetindo a pergunta até extrair o que o tempo todo já sabiam. Algumas vezes ocorre algo parecido com isso:
- Professoorr!!! Como se escreve "casa" ?- Ouve só CA-SA. Como se faz o som do CA?
- C mais A
-Muito bom! E o SA?
- S mais A ?!
- isso!! Junta tudo agora!- Aaah tá!!! Valeu professor!
- :-)
Apenas respondi as perguntas com outras perguntas, a resposta no fundo já sabiam.
Depois foi a abertura da copa do mundo, para não dispesa-los cedo, a professora ligou a tv da sala para assistirem ali mesmo. Viram, comentaram, cantaram juntos algumas músicas e depois quando começaram a ficar agitados de novo, ela desligou e passou um texto para copiarem. O dia correu bem e pelo visto eles não terão aula nos dias de jogo do Brasil. E dá-lhe mais feriados! E viva o nosso paíZ !!
Preciso dizer que odeio muito tudo isso?
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Um Pouco de Pessimismo
[8º Dia]
Ontem não teve aula (as terças não tem português), mas pra não ficar de bobeira fui lá ver se poderia ser útil de alguma forma.
Fiquei como monitor com uns 5 alunos do 6º ano, ajudando-os em leitura e interpretação de texto, levei um do Millôr Fernandes chamado A Morte da Tartaruga, eles se revezaram, cada um lendo um parágrafo, enquanto o grupo todo interpretava o texto conforme ia sendo lido.As dificuldades foram semelhantes a que vejo na turma de alfabetização, embora todos devessem estar "alfabetizados", alguns tem dificuldade de ler dígrafos, outros tentam ler tudo rápido e comem palavras e o pior: há aqueles que sabem algo, ou acham que sabem, e ficam humilhando os que não sabem, esses além de arrogantes, atrapalham muito o processo de ensino.
Quanto mais convivo nesse meio, mas vejo a podridão que é o ensino público brasileiro, vejo pelo lado do ensino carioca, mas duvido que pelo Brasil a fora seja muito diferente, ontem por exemplo, peguei um aluno (entre aqueles 5) que não reconhecia um "M", um "A". Um aluno que chega ao 6º ano e não conhece uma vogal, ou não consegue ler uma sílaba simples não está semi-alfabetizado, nem tem dificuldades, não é analfabeto funcional, um aluno nessas condições está completamente analfabeto. E no 6º ano.
Como ele estava ficando constrangido por não conseguir ler o "MA", li junto e pedi para que ele sozinho interpreta-se aquela parte. Ele interpretou muito bem, entendeu o que se passava na história, o problema era que não sabia ler! Ao final do período que ficamos ali, esse aluno me perguntou se todos os dias teriamos aquele encontro, disse que provavelmente não, porque só as terças eu tenho o dia livre e ele me derrubou: "pena, nós deveriamos ter."
Dói bastante ver essas crianças já carentes, levando tanta porrada da vida e num ambiente como aquele, que deveria ser de inclusão e aperfeiçoamento intelectual, elas vão ficando cada vez mais pro lado, mais excluídas. Como um menino chega ao 6º ano sem saber ler? ou melhor, como um menino foi sendo aprovado por 6 anos seguidos e não perceberam que ele não dominava o mais básico do básico?
Aprovação automática? Professores sobrecarregados? Descaso da escola? Não sei! Sinto que os professores são muito bem intencionados e pelas conversas que ouço na sala deles, vejo que realmente se importam e discutem formas de ajudar (até mesmo salvar) alguns alunos, mas é dificil, tanto pelo que abordei no post anterior, sobre a questão familiar, quanto pela dificuldade de mapear 20, 25, às vezes 30 alunos no período de 1h por dia, se revezando em várias salas, em vários andares e em vários colégios. De quem é a culpa então?
O fato é que um aluno foi selecionado aleatoriamente numa turma para uma aula de reforço enquanto eu estava disponível e de cara já vi que ele precisa muito de ajuda e nem era pra estar naquela turma, quantos e quantos outros alunos daquela escola estão em situação parecida e quanto mais espalhados por ai vão chegar ao 9º ano, se formar e concluir o ensino fundamental sem os conhecimentos primários.
O sistema de educação é tão complexo que seria covardia apontar um único culpado por essa situação e minha intenção aqui nem é essa, mas o que alguns alunos da rede pública passam, seja no Rio, na Bahia ou no Amazonas é uma violência tão grande, mais tão grande contra seus direitos que não sei se sinto pena deles, raiva do sistema, impotência de não poder ajudar a todos como precisam ou tudo junto, mas que incomoda, incomoda...e muito!

fonte: IBGE. Resultados otimistas?
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Buzz Lightyear e o Movimento de Translação
[6º Dia]
O insólito título é só pra tentar resumir o dia. Determinei que esse blog terá o prazo de 1 mês, exatamente por saber que depois de um tempo os assuntos ficarão repetitivos e acho que esse período é o necessário pra me adaptar e para as novidades se esvairem.
Cheguei um pouco atraso devido a um engarrafamento, mas acho que ninguém percebeu, fui para o auditório e a professora estava passando o filme Toy Story para os alunos. É incrível como até em momentos como esse eles se distraem, conversam sem parar e criam confusão, até durante um bom filme numa sala com ar condicionado eles ficam inquietos.Minha mãe, que também é professora, disse que provavelmente alguns alunos se comportam dessa forma por não ter voz fora da escola, serem repreendidos e não ter oportunidade de expor o que pensam, então no colégio é essa algazarra, um modo de expressão simplesmente, bem desordeiro, mas um modo de expressão de jovens adolescentes querendo se comunicar a todo tempo e com todos que puderem.
Depois do filme, eles fizeram uma interpretação da história e tentaram montar frases com palavras-chaves que a professora colocou no quadro. Nesse momento fiquei ajudando 3 alunos ao mesmo tempo, naquela mesma questão de sempre, eles até sabem ler e escrever, mas tem um medo tão grande de errar que é como se não soubessem, então fiquei no meio de um círculo de cadeiras com os três, incentivando-os o tempo todo a pensar por conta própria e quando erravam dizia "lê de novo essa frase. você acha que tem algo faltando? O que? Onde?", ao lerem o que acabaram de escrever, percebiam o erro e eles próprios se corrigiam. Um trabalho de paciência acima de tudo.
A última cena do filme é durante o natal, um aluno perguntou porque lá nevava e aqui não, foi o pretexto para a professora, depois do intervalo, entrar com um pouco de geografia. Ajudei-a na explicação dos movimentos de rotação e translação com o uso de um mapa e um globo terrestre para eles compreenderem o porque dessa diferença de estações e porque enquanto é dia em um lugar em outro é noite. Eles ficaram interessados, perguntaram de um tudo e depois foram embora.
A semana começou bem, o meio foi caótico e apesar de derrapagens, consegui concluir de forma bem tranquila. Que venha o final de semana para poder descansar um pouco, por em ordem a rotina da faculdade e se preparar para a rotina do estágio, até agora saldo positivo na maior parte do tempo, espero que assim permaneça!
Lição da semana: o importante não é voar, é saber cair com estilo! ;-)
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Conquistando a confiança
[3º Dia]
Hoje a aula começou com a professora distribuindo folhas com sílabas aleatórias que os alunos teriam que recortar e montar palavras. Percebi que o trabalho manual prende a atenção dos mais agitados, ter algo para fazer que exige dedicação, paciência e atenção é importante pra sossegar a rebeldia de alguns, e ai está um ponto-chave numa boa aula: prender a atenção.
Com os mais novos: trabalhos manuais, em grupo, de confecção de algum projeto são bem vindos e com os alunos mais velhos (e ai eu me incluo) uma aula tem que ser participativa, em alguns casos se disfarçar de um bom debate, quebrar a monotonia, porque por mais bem intensionado que seja o professor e o aluno, ficar apenas sentado, escutando, depois de um certo tempo fica cansativo. É preciso propor algo diferente de apenas ouvir e hoje percebi que funciona, tanto pela experiência no estágio, quanto pela minha experiência nas aulas da faculdade, as melhores são as que o professor expõe a ideia e pede opiniões, divide com o aluno a palavra, põe o para pensar e não apenas aceitar o que é passado.
Um fato aconteceu logo no começo do dia e me deixou surpreso. Cheguei, fui para o final da sala, como sempre e fiquei lá entre duas cadeiras vazias, quando a professora terminou a explicação do exercício, um aluno, que considero um dos mais agitados, se aproximou, sentou do meu lado e pediu ajuda no dever, logo depois um outro, também muito inquieto, se aproximou e ficou olhando, então perguntei se ele não queria se sentar próximo também, ele me olhou com um pouco de desconfiança, mas aceitou. Pegou sua mochila que estava lá na frente e ficou do meu lado recortando as sílabas da folha. Durante o recorte ambos permaneceram bem quietos, esse que chegou por último tem mania de ficar circulando pela sala o tempo todo e às vezes atrapalhando o dever dos outros, hoje ele ficou concentrado, perguntava toda hora pra mim "professor! tá certo?", fez tudo que foi proposto e no final teve a iniciativa de ajudar a varrer a sala pra limpar os papéis picados que ficaram espalhados.
Foi um comportamento curioso e é interessante perceber como certas atitudes, como ser atencioso, são percebidas pelos alunos e os ajuda no aprendizado.
No intervalo, durante o café, a professora Margareth perguntou se eu poderia segurar a turma sozinho na quarta-feira (próximo dia de aula, já que as terças não tem aula de português), fiquei receoso com a proposta, mas tentei aparentar tranquilidade e aceitei o desafio.
Do momento que sai da sala até chegar em casa, e agora mesmo enquanto escrevo isso, fiquei pensando mil maneiras de elaborar uma aula dinâmica e atrativa que prenda a atenção de 20 alunos inquietos por 4 horas. Tarefa complicada, mas uma boa oportunidade de testar paciência e competência. Se eu sobreviver, posto o resultado.
Hoje a aula começou com a professora distribuindo folhas com sílabas aleatórias que os alunos teriam que recortar e montar palavras. Percebi que o trabalho manual prende a atenção dos mais agitados, ter algo para fazer que exige dedicação, paciência e atenção é importante pra sossegar a rebeldia de alguns, e ai está um ponto-chave numa boa aula: prender a atenção.
Com os mais novos: trabalhos manuais, em grupo, de confecção de algum projeto são bem vindos e com os alunos mais velhos (e ai eu me incluo) uma aula tem que ser participativa, em alguns casos se disfarçar de um bom debate, quebrar a monotonia, porque por mais bem intensionado que seja o professor e o aluno, ficar apenas sentado, escutando, depois de um certo tempo fica cansativo. É preciso propor algo diferente de apenas ouvir e hoje percebi que funciona, tanto pela experiência no estágio, quanto pela minha experiência nas aulas da faculdade, as melhores são as que o professor expõe a ideia e pede opiniões, divide com o aluno a palavra, põe o para pensar e não apenas aceitar o que é passado.
Um fato aconteceu logo no começo do dia e me deixou surpreso. Cheguei, fui para o final da sala, como sempre e fiquei lá entre duas cadeiras vazias, quando a professora terminou a explicação do exercício, um aluno, que considero um dos mais agitados, se aproximou, sentou do meu lado e pediu ajuda no dever, logo depois um outro, também muito inquieto, se aproximou e ficou olhando, então perguntei se ele não queria se sentar próximo também, ele me olhou com um pouco de desconfiança, mas aceitou. Pegou sua mochila que estava lá na frente e ficou do meu lado recortando as sílabas da folha. Durante o recorte ambos permaneceram bem quietos, esse que chegou por último tem mania de ficar circulando pela sala o tempo todo e às vezes atrapalhando o dever dos outros, hoje ele ficou concentrado, perguntava toda hora pra mim "professor! tá certo?", fez tudo que foi proposto e no final teve a iniciativa de ajudar a varrer a sala pra limpar os papéis picados que ficaram espalhados.
Foi um comportamento curioso e é interessante perceber como certas atitudes, como ser atencioso, são percebidas pelos alunos e os ajuda no aprendizado.
No intervalo, durante o café, a professora Margareth perguntou se eu poderia segurar a turma sozinho na quarta-feira (próximo dia de aula, já que as terças não tem aula de português), fiquei receoso com a proposta, mas tentei aparentar tranquilidade e aceitei o desafio.
Do momento que sai da sala até chegar em casa, e agora mesmo enquanto escrevo isso, fiquei pensando mil maneiras de elaborar uma aula dinâmica e atrativa que prenda a atenção de 20 alunos inquietos por 4 horas. Tarefa complicada, mas uma boa oportunidade de testar paciência e competência. Se eu sobreviver, posto o resultado.
Foto: Filme Laranja Mecânica. Se nada der certo para prender a atenção deles, há sempre o método Ludovico. ;-)
sexta-feira, 7 de maio de 2010
O Conselho de Classe
Alunos dispensados e professores reunidos para uma avaliação do bimestre.
Chego as 12:40h, vou direto para a sala dos professores, aquele ambiente que até então tinha receio de passar perto e agora vou entrando e sentando no sofá que tem lá numa boa. Os professores vão chegando aos poucos, alguns cumprimentam, outro não e as 13h começa.
Vamos todos para o auditório e nos posicionamos ao redor de uma mesa cumprida, cada qual munido de seus diário de classe (menos eu, é claro!). Me sento próximo da ponta, embora não me sinta confortável de estar numa reunião onde não farei nada além de assistir.
Seguindo um ritmo não muito cadenciado é feita uma avaliação global de cada aluno, com base nas avaliações individuais de cada professor, o formato de avaliação é baseado em letras e funciona assim:
MB (muito bom)- 8,0-10,0
B (bom) - 7,0-7,9
R (regular) - 5,0-6,9
I (insuficiente) - 0-4,9
- O que vocês acham do aluno Fulano?
- R! / - R! / - R / - B... / - I!
- Na média então "R" pra ele? Todos de acordo? Então fulano fica com "R" na avaliação global.
Às vezes algumas observações e sugestões são feitas de casos específicos de determinados alunos e assim o conselho segue por aproximadamente umas 3h. Na hora da prof. Margareth explicar para os outros como funciona a turma que ela dá aula, ela cita a meu trabalho no auxílio dos alunos como "uma ajuda que caiu do céu!". Fico feliz pelo reconhecimento!
Vejo esse encontro com uma catarse dos professores, muitos aproveitam para dividir suas opiniões sobre os alunos, sobre a escola, sobre as várias dificuldades que encontram, eventualmente uma graça é dita e as conversas seguem,entre MBs e Rs, muita risada e café, pela tarde toda.
Conheci hoje uma senhora muito gente fina chamada Deise. Ela é responsável por uma turma que atende crianças com necessidades especiais na escola, ficamos conversando sobre nossas opiniões sobre a escola, sobre os alunos, ela me pergunta o que to achando do colégio e eu pergunto mais sobre o que ela faz ali. Foi um papo informativo e ajudou a distrair!
As 16:00h me liberam, Deise foi comigo até próximo ao ponto de ônibus, no caminho rimos um pouco das situações inusitadas do colégio, nos despedimos com um "prazer em conhece-lo" e mais um dia de estágio termina!
Cada dia é um aprendizado novo sobre os meandros do funcionamento de uma escola, o dia foi tranquilo, fiquei basicamente fazendo rabiscos e anotações enquanto todos falavam.
Minha primeira semana: saldo positivo!
E eu termino sem saber concluir direito um texto com esse, vou finalizar então da maneira mais fácil, com um ponto final, assim.
Pela combinação de heroísmo e gaiatice do ambiente, estava praticamente uma reunião dos Superamigos na Sala de Justiça!
Chego as 12:40h, vou direto para a sala dos professores, aquele ambiente que até então tinha receio de passar perto e agora vou entrando e sentando no sofá que tem lá numa boa. Os professores vão chegando aos poucos, alguns cumprimentam, outro não e as 13h começa.
Vamos todos para o auditório e nos posicionamos ao redor de uma mesa cumprida, cada qual munido de seus diário de classe (menos eu, é claro!). Me sento próximo da ponta, embora não me sinta confortável de estar numa reunião onde não farei nada além de assistir.
Seguindo um ritmo não muito cadenciado é feita uma avaliação global de cada aluno, com base nas avaliações individuais de cada professor, o formato de avaliação é baseado em letras e funciona assim:
MB (muito bom)- 8,0-10,0
B (bom) - 7,0-7,9
R (regular) - 5,0-6,9
I (insuficiente) - 0-4,9
- O que vocês acham do aluno Fulano?
- R! / - R! / - R / - B... / - I!
- Na média então "R" pra ele? Todos de acordo? Então fulano fica com "R" na avaliação global.
Às vezes algumas observações e sugestões são feitas de casos específicos de determinados alunos e assim o conselho segue por aproximadamente umas 3h. Na hora da prof. Margareth explicar para os outros como funciona a turma que ela dá aula, ela cita a meu trabalho no auxílio dos alunos como "uma ajuda que caiu do céu!". Fico feliz pelo reconhecimento!
Vejo esse encontro com uma catarse dos professores, muitos aproveitam para dividir suas opiniões sobre os alunos, sobre a escola, sobre as várias dificuldades que encontram, eventualmente uma graça é dita e as conversas seguem,entre MBs e Rs, muita risada e café, pela tarde toda.
Conheci hoje uma senhora muito gente fina chamada Deise. Ela é responsável por uma turma que atende crianças com necessidades especiais na escola, ficamos conversando sobre nossas opiniões sobre a escola, sobre os alunos, ela me pergunta o que to achando do colégio e eu pergunto mais sobre o que ela faz ali. Foi um papo informativo e ajudou a distrair!
As 16:00h me liberam, Deise foi comigo até próximo ao ponto de ônibus, no caminho rimos um pouco das situações inusitadas do colégio, nos despedimos com um "prazer em conhece-lo" e mais um dia de estágio termina!
Cada dia é um aprendizado novo sobre os meandros do funcionamento de uma escola, o dia foi tranquilo, fiquei basicamente fazendo rabiscos e anotações enquanto todos falavam.
Minha primeira semana: saldo positivo!
E eu termino sem saber concluir direito um texto com esse, vou finalizar então da maneira mais fácil, com um ponto final, assim.
Pela combinação de heroísmo e gaiatice do ambiente, estava praticamente uma reunião dos Superamigos na Sala de Justiça!
terça-feira, 27 de abril de 2010
O início
Meu nome é Diego Domingues, estou no 3º período de Letras/Literatura na UFRJ e criei esse blog com o intuito de registrar minha odisseia num estágio. Não tenho pretensão nenhuma de que alguém vá ler, embora há um pouco de exibicionismo disfarçado de mero arquivamento de ideias, porque se assim fosse não seria necessário tornar público, mas enfim, também aproveito para treinar minha escrita e compartilhar com quem quer que venha parar aqui o cotidiano dessa nova aventura.
.
As vias de fato
Consegui um estágio em um colégio municipal localizado no centro do Rio de Janeiro, próximo a praça Mauá. A minha função será de auxiliar um grupo de alunos no desenvolvimento de sua leitura e escrita, algo como uma turma de reforço. Fui hoje lá pela primeira vez, apenas conversar com o diretor, que num rápido diálogo me expôs a situação:
- Essa turma é o "ó do borogodó"!
- Uhn..Eles estão atrasados ou são rebeldes?
- Os dois!
- !
- Mas fique tranquilo que tudo dará certo, é só ter autoridade.
-...
Foto: Filme Sociedade dos Poetas Mortos. Pra mim só será um sucesso quando puder subir na mesa sem ser encarado como maluco!
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As vias de fato
Consegui um estágio em um colégio municipal localizado no centro do Rio de Janeiro, próximo a praça Mauá. A minha função será de auxiliar um grupo de alunos no desenvolvimento de sua leitura e escrita, algo como uma turma de reforço. Fui hoje lá pela primeira vez, apenas conversar com o diretor, que num rápido diálogo me expôs a situação:
- Essa turma é o "ó do borogodó"!
- Uhn..Eles estão atrasados ou são rebeldes?
- Os dois!
- !
- Mas fique tranquilo que tudo dará certo, é só ter autoridade.
-...
E foi assim! Não sei muito bem o que ele quis dizer com ó do borogodó, nem se quis me intimidar, mas em todo caso está lançado o desafio. Vou segunda-feira (3/05) ver o que me espera e com a melhor das intenções fazer um trabalho bacana! Se vai ser um fiasco ou um sucesso, só o tempo dirá! ;-)
Foto: Filme Sociedade dos Poetas Mortos. Pra mim só será um sucesso quando puder subir na mesa sem ser encarado como maluco!
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